"Ah. I'd like to have an argument, please."

"Certainly sir. Have you been here before?"

"No, I haven't, this is my first time."

"I see. Well, do you want to have just one argument, or were you thinking of taking a course?"

"Well, what is the cost?"

...

Sunday, February 24, 2008

ouverture

Eu acho um absurdo a hipocrisia humana.

Não é simplismo, falta do que fazer ou ingenuidade se indignar com a hipocrisia humana e o fatode que as pessoas não estão nem aí para você em gênero, número e grau. Isso não é um sinal defraqueza e sim um traço peculiar de personalidade: a insatisfação. Análise nua e crua da minhasatisfação particular me leva a crer que a psyche humana sabiamente desenvolve ciclos para quevocê consiga conviver com a insatisfação derivada do fato de que as pessoas são hipócritas. Pessoas-como-eu sabem do que eu estou falando.

O ciclo parte da surpresa ruim para a insatisfação para a auto-indulgência para o vício (em qualquer coisa) para a sublimação para a aceitação para a nova tentativa e de volta para a surpresa. Evolutivamente. A cada vez que você se surpreende (não do jeito bom) com esse traço presente nas pessoas o ciclo sobe de nível. Até que uma hora você está num lugar onde certas coisas não te atingem mais, e você sente um certo medo.

Hoje foi o dia da surpresa. Novamente. Embora eu soubesse o que iria acontecer (pessoas-como-eu desenvolvem um talento similar ao de agentes secretos para reconhecer certos tipos de pessoa) ainda assim cada passo da valsa parece que é novo, talvez pelo otimismo de achar que alguém vá um dia parar a dança e te supreender de verdade, mas isso não acontece - não acontece.

Ia ser um café num lugar charmoso hoje mas não foi - tanto melhor. As histórias contadas, as situações, os dilemas apontavam para o fim súbito, para a situação fatal onde eu, no meu
ballo di maschera defensivo, sumo para nunca mais voltar, envolto num mistério que é fácilmente solúvel, numa farsa que mal existe mas que as pessoas não notam: fruto da hipocrisia.

Estou fora. Ou eu mergulho - ou fico fora da água.

Eu estou seco.

___________________
"Song"
by Trumbull Stickney (1902)

A bud has burst on the upper bough
(The linnet sang in my heart to-day);
I know there the pale green grasses show
By a tiny runnel, off the way,
And the earth is wet.
(A cuckoo said in my brain: “Not yet.”)

I nabbed the fly in a briar rose
(The linnet to-day in my heart did sing);
Last night, my head tucked under my wing.
I dreamed of a green moon-moth that glows
Thro’ ferns of June.
(A cuckoo said in my brain: “So soon?”)

Good-bye, for the pretty leaves are down
(The linnet sang in my heart to-day);
The last gold but of upland’s mown,
And most of summer has blown away
Thro’ the garden gate.
(A cuckoo said in my brain: “Too late.”)