Dentre todos os problemas e pseudo-problemas da mulher moderna, as reclamações femininas acerca dos homens me irrita profundamente.
Entre a cruz e a espada. Entre a cozinha e o mundo pós-moderno (e muitas vezes na cozinha e no mundo pós-moderno), as mulheres estão divididas. A vida da mulher nunca foi fácil, vista como mercadoria desde a Bíblia, a práxis social da mulher sempre foi limitada à casa, aos filhos e aos assuntos menores da sociedade.
Porém, tão sujeitas ao darwinismo quanto os homens, as mulheres se especializaram nas intrigas de bastidor, na manipulação do instinto masculino e no exercício do seu poder de persuação emocional, as mulheres sobreviveram bem na Roma Antiga (Cléo, Calpúrnia, Servilia, Octavia, etc), no Reino de Israel (Sarah, Rachel, Ruth, Esther, Maria Madalena). Através da história elas sempre foram as rainhas do poder informal. Nietzscheanamente exercendo o seu desejo de poder do jeito que elas conseguiram. Oprimidas ou não, seu legado está aí.
No século 20, as senhorinhas francesas, inglesas e americanas conseguiram legar a todas o direito de voto. Veio a guerra, e elas ingressaram de vez no mercado de trabalho. Sutiãs queimados, bundas à mostra, Haight-Ashbury, Simone de Beauvoir (no melhor estilo faça o que eu digo mas não faça o que eu faço) e elas estão hoje na política, na academia, na filosofia. E vieram Judith Butler, Camille Paglia e companhia limitada e hoje elas são caminhoneiras profissionais, bombeiras, encanadoras, rabinas, etc.
Mediante a enumercação dos fatos por parte deste pobre raconteur, há ainda os que afirmam que a guerra dos sexos não acabou e que há homens com saco de mandar em mulher. Francamente, eu acho que isso é raça em extinção, enterro de anão, pesquisa do ibope. Mandar em mulher hoje em dia seria para quem tem paciência de sentar na caverna com o Bin Laden e tentar falar para ele que Tocqueville e Montesquieu têm razão com relação à democracia e que Allah meu bom Allah é só mais um entre os vários deuses fodões, todos garantindo acesso irrestrito ao céu e virgens (com tanta oferta de virgens, Jerusalém, Mecca, Salt Lake City, o mercado das virgens hoje é globalizado).
Tendo isso em mente, eu perguntei para uma amiga o que ela mais apreciava em um homem. E para o meu total abestalhamento, ela respondeu 'o fato de eu me sentir protegida'.
[pausa dramática]
Protegida do quê, perguntaria eu? Da fúria inquebrantável de Chuck Norris? Da ira de Javé? Das faltas cobradas pelo Roberto Carlos? Da resistência hercúlea dos plásticos de CD? Tendo um CV mais impressionante que nerd japonês do Massachussets Institute of Technology (eu inventei um robô, resolvi o teorema de Fermat, consegui a paz na Palestina e resgatei todo mundo da ilha de Lost), o movimento feminista conseguiu em menos de dois séculos o que a África não conseguiu em mais de 500. E elas querem proteção. Como homem, nessa hora eu me senti tão inútil quanto o segurança do Jet Li.
To be continued (quando o doutorado permitir)...
"Ah. I'd like to have an argument, please." "Certainly sir. Have you been here before?" "No, I haven't, this is my first time." "I see. Well, do you want to have just one argument, or were you thinking of taking a course?" "Well, what is the cost?" ...
Wednesday, March 26, 2008
Friday, March 7, 2008
Aging
O post da SFO vem depois.
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Por todos esses anos, eu sempre tive medo da morte - a famigerada condição que supostamente nos faz humanos. Mas como ser humano está longe das minhas pretenções, é difícil para mim aceitar, sem considerar o desespero existencialista Kierkegaardiano, a morte como algo de facto. Mas como fazemos todos nós? Como saber que o fim existe e pode estar próximo e ainda assim nos preocuparmos com pegar o dryclean? Me impressiona muito o fato de que há pessoas nesse mundo que aceitam a morte e a finitude e não fazem o que Dylan Thomas recomenda ao seu pai: vão-se gentis, noite boa adentro ('do not go gentle into that good night'). Ainda, como Isaac, morrem 'velhos e saciados de dias'. Como pode alguém saciar-se de dias? A vida pede mais, mas nem sempre surpreende depois de alguns anos. O ciclo se fecha, lentamente.
Num momento Waking Life (foi uma grande coincidência ouvir alguém falando sobre isso no rádio, depois de ter escrito meio post ontem - e ainda eu ouvia um tango e flutuava!), hoje no taxi voltando de Berkeley, ouvi um comentarista da NPR contar de uma mulher que, em seus delírios, indagava pessoas comuns pela rua - chacoalhando-as - como elas conseguiam lidar com a vida, sabendo da morte.
A vida, queira ou não, é feita de um infinito ciclo de repetições. Tudo na vida é repetido inúmeras vezes - [INTERLÚDIO] por isso eu não consigo comprrender a razão da obcessão que as pessoas têm com querer acertar sempre da primeira vez, faz alguma diferença, acertar, do ponto de vista da eternidade? [FIM DO INTERLÚDIO] - ciclos de 24 horas, 7 dias, 12 meses. Tudo igual. Os anos passam cada vez mais rápido.
Quando se sente a primeira náusea das repetições da vida, se tem a experiência da morte como a mente a experimenta. Quando a sua falta de vontade de repetir os dias se faz presente, assim se conhece o primeiro passo em direção da morte. Foi o que aconteceu no último ano que passou, um eterno dejá vu de situações, mesmo contando com inúmeras mudanças.
Sêneca comenta de Cícero que este, sendo um dos homens mais inteligentes em Roma por décadas, acabou um 'meio prisioneiro'. Há uma certa ironia no tom, e maior ironia ainda quando ele elogia os feitos de Augustus (Otavinho, para os íntimos), que segue em busca da reclusão da vida pública em favor dos seus 'entretenimentos'. Se ambos Cícero e Otávio eram homens sábios - e ambos buscavam a sabedoria até como forma de entretenimento. Qual a diferença entre o político por trás das câmeras e a figura do imperador? Com certeza não diferem em importância. Mas o homem que ardilosamente pôs a sabedoria teórica de Gaius Julius Caesar em prática tem mais valor. Atos simples, coisas visíveis.
Nas Sátiras, Juvenal cunhou a frase "Quis custodiet ipsos custodes?" ou "Quem guardará os guardiães?". Isso era um problema para Platão, na República - e este justificava que os guardiães não necessitavam ser guardados pois eram, naturalmente, mais sábios e atuavam com dikaiosune, ou o conceito do conjunto de virtudes que leva à virtude da justiça. E isso nos leva ao paradoxo da sabedoria: de que adianta, buscar a sabedoria, se hoje em dia os sábios - proclamados como tais - só o são mediante o clamor da maioria não sábia. Matematicamente falando: a soma das burrices não reconhece a unidade da inteligência, pois é uma diferença qualitativa. Em outras palavras, recaímos na dialética vulgar de que 'cabe somente ao sábio reconhecer outro', e como bem vê Nietzsche, é claro que nós sempre apontaremos sábios.
Sábios ou não, o que importa é que vejam o que sabemos em uma forma tangível, aquém do questionamento dúbio e do ardil dos críticos. Uma prova cartesiana de que sim, vale a pena viver, quando se tenta fazer algo que é eterno.
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Por todos esses anos, eu sempre tive medo da morte - a famigerada condição que supostamente nos faz humanos. Mas como ser humano está longe das minhas pretenções, é difícil para mim aceitar, sem considerar o desespero existencialista Kierkegaardiano, a morte como algo de facto. Mas como fazemos todos nós? Como saber que o fim existe e pode estar próximo e ainda assim nos preocuparmos com pegar o dryclean? Me impressiona muito o fato de que há pessoas nesse mundo que aceitam a morte e a finitude e não fazem o que Dylan Thomas recomenda ao seu pai: vão-se gentis, noite boa adentro ('do not go gentle into that good night'). Ainda, como Isaac, morrem 'velhos e saciados de dias'. Como pode alguém saciar-se de dias? A vida pede mais, mas nem sempre surpreende depois de alguns anos. O ciclo se fecha, lentamente.
Num momento Waking Life (foi uma grande coincidência ouvir alguém falando sobre isso no rádio, depois de ter escrito meio post ontem - e ainda eu ouvia um tango e flutuava!), hoje no taxi voltando de Berkeley, ouvi um comentarista da NPR contar de uma mulher que, em seus delírios, indagava pessoas comuns pela rua - chacoalhando-as - como elas conseguiam lidar com a vida, sabendo da morte.
A vida, queira ou não, é feita de um infinito ciclo de repetições. Tudo na vida é repetido inúmeras vezes - [INTERLÚDIO] por isso eu não consigo comprrender a razão da obcessão que as pessoas têm com querer acertar sempre da primeira vez, faz alguma diferença, acertar, do ponto de vista da eternidade? [FIM DO INTERLÚDIO] - ciclos de 24 horas, 7 dias, 12 meses. Tudo igual. Os anos passam cada vez mais rápido.
Quando se sente a primeira náusea das repetições da vida, se tem a experiência da morte como a mente a experimenta. Quando a sua falta de vontade de repetir os dias se faz presente, assim se conhece o primeiro passo em direção da morte. Foi o que aconteceu no último ano que passou, um eterno dejá vu de situações, mesmo contando com inúmeras mudanças.
Sêneca comenta de Cícero que este, sendo um dos homens mais inteligentes em Roma por décadas, acabou um 'meio prisioneiro'. Há uma certa ironia no tom, e maior ironia ainda quando ele elogia os feitos de Augustus (Otavinho, para os íntimos), que segue em busca da reclusão da vida pública em favor dos seus 'entretenimentos'. Se ambos Cícero e Otávio eram homens sábios - e ambos buscavam a sabedoria até como forma de entretenimento. Qual a diferença entre o político por trás das câmeras e a figura do imperador? Com certeza não diferem em importância. Mas o homem que ardilosamente pôs a sabedoria teórica de Gaius Julius Caesar em prática tem mais valor. Atos simples, coisas visíveis.
Nas Sátiras, Juvenal cunhou a frase "Quis custodiet ipsos custodes?" ou "Quem guardará os guardiães?". Isso era um problema para Platão, na República - e este justificava que os guardiães não necessitavam ser guardados pois eram, naturalmente, mais sábios e atuavam com dikaiosune, ou o conceito do conjunto de virtudes que leva à virtude da justiça. E isso nos leva ao paradoxo da sabedoria: de que adianta, buscar a sabedoria, se hoje em dia os sábios - proclamados como tais - só o são mediante o clamor da maioria não sábia. Matematicamente falando: a soma das burrices não reconhece a unidade da inteligência, pois é uma diferença qualitativa. Em outras palavras, recaímos na dialética vulgar de que 'cabe somente ao sábio reconhecer outro', e como bem vê Nietzsche, é claro que nós sempre apontaremos sábios.
Sábios ou não, o que importa é que vejam o que sabemos em uma forma tangível, aquém do questionamento dúbio e do ardil dos críticos. Uma prova cartesiana de que sim, vale a pena viver, quando se tenta fazer algo que é eterno.
Monday, March 3, 2008
those were the days
those were the days
I could walk on clouds - I daresay
happiness flowed out of me
to my utter dismay
though I could not stay
part of me could not just have leave'd
two men - I was - bound in a unique good feeling
of what I've been bereave'd
but fate is a beast not easily appease'd
and fate made my wheel of time spin separately
for one cannot seek love and wisdom together
so I treaded on my path, ruefully
I rage silently at fate, nemesis of love
and part of me is there on the riverside
walking lazily in the afternoon
Our little pink palace will always be there
the garden full of white bathtubs
where the flowers that color my memory bloom
F.
I could walk on clouds - I daresay
happiness flowed out of me
to my utter dismay
though I could not stay
part of me could not just have leave'd
two men - I was - bound in a unique good feeling
of what I've been bereave'd
but fate is a beast not easily appease'd
and fate made my wheel of time spin separately
for one cannot seek love and wisdom together
so I treaded on my path, ruefully
I rage silently at fate, nemesis of love
and part of me is there on the riverside
walking lazily in the afternoon
Our little pink palace will always be there
the garden full of white bathtubs
where the flowers that color my memory bloom
F.
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