Sim, eu odiei Juno. Todo mundo gostou, eu sei. Mulheres, crucifiquem-me se quiserem, mas eu odiei. Eu não sei porque, mas quando eu vi o estilinho da Diablo Cody no Oscar eu meio que entendi. São essas coisas irracionais que acontecem ao ser humano. Ela com aquele vestidinho vem cá meu puto, aquele ar dorothyparkeriano de me-deixe-quero-ser-indie me irritou. Enfim, como todo o resto da humanidade eu achei a Juno divertida, sacadinha, espertinha, bonitinha e até sexy, e me compadeci do fato dela ter engravidado do Bleecker. As coisas começaram a me incomodar quando ela foi à clínica de aborto e se achou boa demais para fazer um aborto, e deu aquela desculpinha esfarrapada de que os bebês tem unhas. Foi desculpa sim. Uma menina tão inteligente, sacadinha e com um laptop com acesso à wikipédia sabe que bebês não tem unhas, e isso não é um motivo para não abortar uma criança. Mas ainda assim, eu respeito a decisão dela. Juno. Depois do filme as coisas começaram a me incomodar enquanto eu ruminava. Discuti com a Rachel, que achou o máximo [INTERLÚDIO] engraçado como todas as meninas que gostaram do filme ou se identificam ou querem ser a Juno de alguma forma, sorry, mas observando bem acaba sendo verdade - não tente negar [FIM DO INTERLÚDIO], e coisas me vieram:- Me incomodou o fato de o Bleecker ter sido só um instrumento e saco de pancada da gravidez dela. Eu execro mulheres que acham que o universo gira em torno do conceito protofreudiano do desejo da vagina. É engraçado em filmes como Chicago, mas não na vida real. Se ela engravidou, ele devia ser no mínimo algo mais do que o último a saber e o primeiro a levar porrada pois ela está de mauhumorzinho (ahpaputaqueupariu). Tudo bem, ele é idiota, mas ela - como a porta voz e defesa da inteligência e da esperteza universal feminina em geral - devia ter comunicado ao pobre que ele estava prestes a ser pai.
- Me incomodou o fato dela ser dissimulada, pois ela flertou com o Mark várias vezes depois se fez de sonsa quando ele decidiu abandonar a Vanessa devido não a ela, mas aos pensamentos de juventude que ela evocava nele. Depois que isso acontece, ele sai da equação da cabeça da Juno como pai adotivo do filho dela - pois é um filme girl-power, logo os homens (e consequentemente a figura paterna) são supérfluos. O que é engraçado, sendo que ela foi criada pelo pai, que era meio banana, mas enfim.
- Me incomodou o fato de tudo ser uma grande tiração de sarro. O aborto é um sarro. A gravidez é um sarro. A paternidade é um sarro. Tudo é um sarro.
E no final, advinha para quem a nossa mãe adolescente volta? Para o trouxa do Paulie Bleecker, que canta aquela música chata que não para de tocar no rádio com aquela voz de taquara rachada. Até ela cansar dele e ficar grávida do leiteiro. E como é típico desse tipo de mulher: imaginem o Bleecker em 40 anos [...] igual ao pai dela.
A Diablo Cody ganhou um Oscar, agora ela pode começar a escrever coisas decentes.
A Diablo Cody ganhou um Oscar, agora ela pode começar a escrever coisas decentes.

